Amantes de si mesmo!

“Acreditem em mim, amigos, para Israel desejo o melhor: salvação, nada menos que isso. É o que desejo de todo o coração e em todo tempo oro a Deus por isso. Sei que os judeus são muito dedicados a Deus, mas estão fazendo tudo ao contrário. Não parecem entender que esse acerto da condição humana, que é a salvação, é obra de Deus, e muito bem-sucedida. Eles montam suas lojas de salvação ao longo da rua e apregoam sua mercadoria. Após todos esses anos de recusa em se relacionar com Deus nos termos dele, insistindo em fazer tudo à sua maneira, eles nada conseguiram como resultado.” Romanos 10.1-3 versão A mensagem
É impressionante como o homem acha que pode ser o alicerce de si mesmo.
Quero propor algo diferente neste texto, ao invés de olharmos para o outro, convido você a uma reflexão a respeito de si mesmo.
Recentemente ouvi um famoso empresário brasileiro do ramo da propaganda ao ser perguntado sobre a sua crença em Deus, dizer: “Creio que Deus seja uma força maior que está sobre todo o universo, mas que de alguma forma eu tenho um certo domínio sobre ela”. Absurdo? Pense bem, sem saber você pode pensar da mesma maneira.
Se pararmos para analisar as escrituras, Jesus deixa claro que o homem precisa entender qual é a sua condição e sua parte na obra da redenção por meio da cruz para a sua própria salvação. Nenhuma!
Foi assim quando na parábola, o jovem rico pergunta o que “mais” ele precisava “fazer” pra ser salvo (Mateus 19.16-22). Foi assim quando Nicodemos questiona se um homem adulto poderia retornar ao ventre de sua “mãe” para voltar a nascer (João 3.4). Foi assim com os fariseus que volta e meia questionavam Jesus quanto ao cumprimento da Lei salientando que eles jejuavam duas vezes por semana, guardavam o sábado, iam a sinagoga e como eram fiéis e lineares em sua fé.
Somos diariamente tentados a edificar nossas torres e castelos para merecermos chegar no céu.
E ainda, mostrando a quantidade de ricocós em nossas construções e a velocidade na qual conquistamos resultados. No fundo queremos mostrar a nós mesmos como somos incríveis e talentosos para então sermos tomados pela auto satisfação e no final das contas dizer: “Não é possível que não serei salvo”.
Esse devaneio é tão intenso que passamos a achar que somos mais poderosos em nós mesmos, que a Lei que nos prendia ao pecado, achamos que estamos acima dela, porém digo uma coisa, por mais que pensemos sermos fortes o suficiente para vencer o pecado, não somos. Podemos até sustentar uma aparente santidade pela força do braço, mas tenha certeza, uma hora o braço vai cansar e sempre haverá o dia seguinte. O dia em que confrontado com a realidade de não ser tão poderoso quanto se imaginava, cair em si e perder a perspectiva da vida pelo simples fato de perceber que não pode dominá-la.
Sabe aquele pecado doméstico que ninguém conhece? Você não pode vencê-lo sozinho. Sabe aquele perdão que você precisa liberar a aguém que te magoou profundamente? Você não vai encontrá-lo sozinho.
Cristo nos atrai graciosamente à sua redenção que é o oposto da nossa.
Aquela que faz do náufrago em alto mar se batendo pra tentar salvar a própria vida, se acalmar, parar de nadar desesperadamente e, enfim, esperar o salva-vidas vir ao seu encontro.
Precisamos pedir ao Pai que Ele revele a nós quem nós somos verdadeiramente e o quão dependente precisamos ser do amor furioso que constrange, sustenta e aceita, abrindo mão do nosso reinado pessoal para deixar o Reino de Deus ganhar o nosso coração.
Que Cristo seja tudo em todos.

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