Tudo quebrado, tudo faltando, tudo fora do lugar


Engraçado como algumas frases ganham força em determinados momentos, né? Eu escuto o Paulo Vieira, o coach, já tem uns dois, três anos, e admiro muito ele e a Camila. Gosto mesmo do trabalho deles, e desde que comecei a acompanhar, ouço ele falando essa frase: “nada quebrado, nada faltando, nada fora do lugar.”


Sempre achei forte. Mas neste ano, essa frase tomou outra proporção. Um pastor criou uma campanha na internet com horários específicos pra orar — meio-dia, seis da manhã — e por causa disso, a frase viralizou. Tenho várias conhecidas que nem são cristãs, que não estão ligadas a uma igreja local, e que mesmo assim compraram a pulseirinha, entraram na campanha. Vi igrejas usando essa frase como slogan do ano, e até pessoas que saíram de suas igrejas declarando isso com força.


Mas comigo, foi diferente.


Toda vez que eu ouvia essa frase — “nada quebrado, nada faltando, nada fora do lugar” — o que vinha ao meu coração era outra coisa. Era como se o Senhor sussurrasse dentro de mim:


“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar, me buscar e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7:14)


E aí sim: nada quebrado. Aí sim: nada faltando. Aí sim: nada fora do lugar.


Mas toda vez que eu ouvia a frase, eu era levada pra um lugar de arrependimento. Não era sobre declarar algo positivo e pronto. Era como se o Espírito me dissesse: “Filha, antes de declarar restauração, reconhece que há ruínas. Antes de declarar plenitude, reconhece que há falta.”


No domingo, o pastor Tiago Belinha trouxe uma palavra e usou essa mesma frase. Na hora, meu coração começou a se entristecer. Eu me senti constrangida. Era como se eu escutasse vozes dizendo “paz, paz”, quando não havia paz. Como se o povo gritasse “shalom!”, quando o coração ainda estava em guerra.


E então, uma verdade me visitou: é muito fácil declarar que está tudo bem, mas será que está mesmo? Queremos viver o shalom — essa paz restauradora, essa presença plena de Deus — mas não queremos passar pelo caminho que nos leva até lá.


E o caminho é claro: humilhar-se, orar, buscar, converter-se dos maus caminhos. Aí sim, Ele ouve. Aí sim, Ele perdoa. Aí sim, Ele sara. E aí, sim, podemos dizer com verdade: nada quebrado, nada faltando, nada fora do lugar.


O shalom não é uma frase bonita. Não é uma pulseirinha. Não é uma repetição automática. O shalom é a presença restauradora do Senhor. É a consequência de uma vida rendida, de um coração arrependido, de uma alma que escolheu habitar n’Ele por completo. 

 Não dá pra proclamar cura sem admitir que há feridas.

Não dá pra declarar paz quando ainda há guerra no coração.


Às vezes, o que parece só uma frase bonita esconde uma urgência espiritual: a de voltar pro lugar do arrependimento, do reconhecimento e da rendição.


O constrangimento que sentimos não é julgamento.

É zelo. É o Espírito nos chamando de volta pra verdade.


Porque antes do nada quebrado, nada faltando, nada fora do lugar, vem o Se o meu povo se humilhar, orar, me buscar…

E aí sim, Ele ouve.

Ele perdoa.

Ele sara.


Isso é shalom.

Não uma frase, mas uma realidade vivida na presença de Deus.


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